Arquivo do autor:Hugo Marques

Desabafo

Preciso de um tempo pra falar

Sobre coisas que já não ouso falar

Que não ouso pensar deve ser medo de tentar

Mas hoje acho que Deus vai me iluminar

Então vou orar pra que Seu abraço esteja a me aconchegar

Se um sorriso não for o bastante pra fazer a canção

Então vou deixar a tristeza conduzir este refrão

Pois se a dor nos torna mais forte

Cada segundo de vida e mais um passo para a morte

Mas me diz pra que sonhar se um dia vamos acordar

Cansei de sonhos, preciso realizar.

Só ver as coisas que quero e não poder ter

E o mesmo que ter a vida nas mãos e não saber viver

Versos simples

Eu queria te escrever um poema

Pra te mostrar como e grande meu amor

Pra que cada um de nossos problemas

Se dissolvessem nesses versos minha flor

E que a luz do seu dia seja minha poesia

Porque a luz do meu céu e sua alegria

Eu queria poder só te trazer um sorriso

Pois tudo que preciso e viver feliz contigo

JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Autor: Carlos drummond de andrade

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