País lembra 40 anos da morte de Neruda e investiga possível assassinato

“Poeta, comunista, prêmio Nobel de Literatura: Pablo Neruda. Morreu no dia 23 de setembro de 1973 de dor na alma, doze dias depois do golpe.” Sílvio Tendler, em Utopia e Barbárie

25 de setembro de 1973. Santiago levou o coração de luto às ruas. Em meio aos lamentos, versos do poeta foram declamados pela multidão, mantendo viva a alma de Neruda:

“Habitantes de las tierras desoladas: aqui’teneis como un montón de espadas mi corazón dispuesto a la batalla”. (Verso retirado do poema Salitre – Pablo Neruda)

“Habitantes das terras desoladas: aqui tens como um montão de espadas meu coração disposto para a batalha” 


neruda_foto

Na segunda-feira de 23/09, após 40 anos do falecimento de Pablo Neruda, as especulações diante de sua estranha morte continuam sendo levantadas. O laudo médico levava a crer que o estado do câncer de próstata do poeta veio a piorar por conta de seu estado emocional diante do golpe militar que tirou Salvador Allende do poder, do qual teve notícias já do hospital. Porém, quando o motorista de Neruda, Manuel Araya, alegou em meados de 2011 que seu chefe fora assassinado por agentes do regime militar, sua declaração levantou uma polêmica até então calada na mente da maioria.

De acordo com Araya, Neruda estava relativamente estável e lúcido no dia 23, quando contou para ele e para a esposa, Matilde Urrutia, que algum dos médicos havia injetado algo nele e desde então seu estado só estava piorando.

Com isso, resgataram os restos mortais do poeta para submetê-los a testes toxicológicos, e aguardam os resultados para confirmar o relato do motorista.

O impacto foi ainda maior, pois no mesmo hospital em que Neruda morreu, o ex-presidente Eduardo Frei, também opositor de Augusto Pinochet, faleceu nove anos depois por conta de uma “introdução gradual de substâncias tóxicas”. Todavia, ao investigar mais a fundo sobre o assunto, o sobrinho de Pablo reclamou da falta de cooperação e de interesse, tanto por parte do hospital por não revelar informações, quanto por parte da Fundação Pablo Neruda, que parece não ter interesse nessa busca.

Pouco tempo depois do relato, a versão de Araya foi rechaçada por alguns amigos e biógrafos do autor. Jaime Quezada, diretor da oficina de poesias da fundação, declarou: “além de sua própria doença, Neruda estava emocionalmente afetado e isso deve ter influído em sua morte”.

Mesmo assim, a história de Araya bastou para que abrissem o processo judicial. “Estou à disposição de tudo o que venha pela frente: não tenho medo porque tenho a verdade. Aqui não há ninguém mais que tenha a verdade, porque eu sou o único, eu vivi os últimos dias com ele”, disse o motorista quando soube que dariam início ao processo.

Os resultados são aguardados até então com calma, para que o povo possa realizar uma despedida digna para o escritor e, também, para todos os “Pablos” levados pela ditadura e pela dor na alma.

Pablo_Neruda

 

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Publicado em 2 de novembro de 2013, em Histórias e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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