Arquivo diário: 12 de outubro de 2013

Manuscritos de Notícias: “Cartão da paquera” é encontrado em acervo bibliográfico

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Cartão de galanteio encontrado em meio a um livro que pertencia a Othelo Rodrigues Rosa.

O gaúcho Othelo Rodrigues Rosa, nasceu em Montenegro em 1889 e morreu em Porto Alegre em 1956.  Ele foi um homem eclético: jornalista, escritor, poeta, historiador e promotor nomeado em 1911. Em 1915, tornou-se secretário particular do governador Borges de Medeiros. Membro do Partido Republicano Rio-grandense, elegeu-se deputado estadual. Foi também o primeiro secretário de Educação do RS, no governo Flores da Cunha. Redator do  jornal O Taquaryense, diretor de A Federação (1925/1930) e do Jornal da Noite (1931/1932). Membro do Instituto Histórico e Geográfico do RS (IHGRGS) e da Academia Rio-grandense de Letras, é o autor do livro Vultos da Epopeia Farroupilha.

O acervo bibliográfico que ele reuniu ao longo da vida, doado pela Assembleia Legislativa ao IHGRGS, era eclético como ele. Os títulos vão de obras de Eça de Queirós até coisas como A vida sexual dos macacos. Recentemente, ao manipular o conjunto de bens culturais recebidos, a funcionária Márcia Piva Radtke encontrou entre as páginas de um dos livros o curioso cartão reproduzido acima. Homem de interesses múltiplos, provavelmente Othelo julgou interessante guardar esse galanteio impresso em papel, por algum “profissional” do fazer a corte às damas da época. Tão provável quanto a possibilidade desse não ser o único exemplar dessa manifestação de amor arrebatada, transcrita em letra de fôrma, pronta para circular em grande quantidade. Tudo indica que, no passado, o dono do cartão se deu bem, a julgar pela inequívoca marca que se observa no canto inferior direito do cartão.

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Manuscritos de Notícias: Escritora canadense Alice Munro vence Nobel de Literatura 2013

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A canadense Alice Munro, de 82 anos, foi anunciada na manhã da quinta-feira passada como a vencedora do Nobel de Literatura 2013. A escolha foi divulgada em um evento na cidade de Estocolmo, na Suécia. Além de todo o prestígio e novas edições ao redor do mundo, que Munro ganhará, ela recebeu também cerca de 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,25 milhão).

Segundo o comitê da premiação, Munro é “mestre da narrativa breve contemporânea” e “aclamada por sua narrativa afinada, que é caracterizada pela clareza e pelo realismo psicológico”. Alguns críticos a consideram “a Chekhov canadense”, em referência ao escritor russo Anton Chekhov, por seus contos serem centrados nas fraquezas da condição humana.

“Eu sabia que estava na disputa, sim, mas nunca pensei que venceria”, disse Munro à agência The Canadian Press, em Victoria. Ela disse que sempre considerou a possibilidade de vencer o Nobel como “um sonho impossível, algo que poderia acontecer, mas que provavelmente não ocorreria”. “Estamos no meio da noite aqui e havia esquecido totalmente”, contou.

Biografia
A escritora Alice Munro nasceu em 10 de julho de 1931 em Wingham, no Canadá. Ela é autora de diversos livros de contos, traduzidos para mais de dez idiomas. Entre os numerosos prêmios literários recebidos ao longo de sua carreira, destaca-se o Man Booker Prize, em 2009. Entre suas obras mais conhecidas estão “Fugitiva” (2006), “Felicidade demais” (2010) e “O amor de uma boa mulher” (2013).

Ela começou a estudar Jornalismo e Inglês na University of Western Ontario, mas interrompeu os estudos quando se casou em 1951. Junto com seu marido, ela se mudou para Victoria, em British Columbia, onde o casal abriu uma livraria. Seu primeiro livro foi publicado em 1968, com o título “Dance of the happy shades”, que recebeu bastante atenção no Canadá.

Em 1971, Munro publicou uma coleção de histórias chamada “Lives of girls and women”, que os críticos descreveram como um “Bildungsroman”, isto é, um romance de formação. Sua obra “Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento” (2001) foi inspiração para o filme “Longe dela” (2006), dirigido por Sarah Polley.

Lançamentos no Brasil
Três livros de Alice Munro ainda inéditos no Brasil serão lançados em português em 2014 no país. Além da reedição, em dezembro, do livro de contos “Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento”, publicado em 2004, a Globo Livros lançará “Selected stories” (1996), “Runaway” (2004) e “The View of Castle Rock” (2006) – os dois últimos publicados em Portugal como “Fugas” e “A Vista de Castle Rock – pelo selo Biblioteca Azul.

Histórico
Munro é a 13ª mulher a ganhar o Nobel de Literatura. Em 2009, a escritora romena Herta Müller recebeu o prêmio. Esta é a primeira vez, em 112 anos, que a academia sueca premia um autor que escreve apenas contos. A cerimônia de entrega acontecerá em Estocolmo, no dia 10 de dezembro, aniversário da morte do fundador do prêmio, Alfred Nobel.

Abaixo, veja os vencedores do Nobel de Literatura dos últimos anos:

2012: Mo Yan (China)
2011: Tomas Tranströmer (Suécia)
2010: Mario Vargas Llosa (Peru)
2009: Herta Müller (Romênia)
2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio (França)
2007: Doris Lessing (Reino Unido)
2006: Orhan Pamuk (Turquia)
2005: Harold Pinter (Reino Unido)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: John Coetzee (África do Sul)

Veja a lista das mulheres que já receberam o Nobel de Literatura:

2013: Alice Munro (Canadá)
2009: Herta Müller (Alemanha)
2007: Doris Lessing (Grã-Bretanha)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
1996: Wislawa Szymborska (Polônia)
1993: Toni Morrison (EUA)
1991: Nadine Gordimer (África do Sul)
1966: Nelly Sachs (Suécia)
1945: Gabriela Mistral (Chile)
1938: Pearl Buck (EUA)
1928: Sigrid Undset (Noruega)
1926: Grazia Deledda (Itália)
1909: Selma Lagerlöf (Suécia)

A Academia surpreendeu, visto que existiam outros escritores mais cotados antes de Munro, como a bielorrussa Svetlana Alexievich e o japonês Haruki Muramaki, o autor de 1Q84. Ainda que outros nomes tivessem preferência, segundo os críticos, a premiação é merecida e homenageia o Conto, formato um tanto esquecido nos últimos anos pela crítica e pelo público.

No conto O Amor de uma Boa Mulher, publicado no livro homônimo de 1998, é possível perceber o tom bucólico da história, que se passa em uma pequena cidade, cenário preferido da autora. O livro foi publicado no Brasil neste ano, pela editora Companhia das Letras. Clique aqui para ler o conto.

E aí, surpreso com a escolha? Já conhecia a autora? Deixe seu comentário!

Manuscritos de Notícia: O escritor Luiz Ruffato critica duramente Brasil na Feira do Livro de Frankfurt

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A feira de Frankfurt mal havia começado e já gerara polêmicas, como a seleção dos 70 autores que para lá iriam, deixando de lado best-sellers como Eduardo Spohr, Raphael Draccon, André Vianco e outros. Será mesmo que, dentre tantas vagas – muitas dadas para escritores desconhecidos – não tinha espaço para eles…? Tal dilema fez com que Paulo Coelho abandonasse o evento. Fora isso, a abertura aconteceu na terça-feira passada, com um discurso duro, mas bastante realista da visão que Luiz Ruffato possui do Brasil.

O discurso

Ruffato começou falando do passado brasileiro: “Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira […]. Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas – ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas negras pelos colonizadores brancos.”

E, ao falar do presente, foi aplaudido ainda durante o discurso: “E quem mais está exposto à violência nao são os ricos que se enclausuram atrás dos muros altos de condomínios fechados, protegidos por cercas elétricas, segurança privada e vigilância eletrônica, mas os pobres confinados em favelas e bairros de periferia, à mercê de narcotraficantes e policiais corruptos.”

E, para o escritor, ainda há muito presente do “legado de 500 anos de desmandos” no país: “Continuamos a ser uma país onde moradia, educação, saúde, cultura e lazer não são direito de todos, mas o privilégio de alguns. […] Em que mesmo a necessidade de trabalhar, em troca de um salário mínimo equivalente a cerca de 300 dólares mensais, esbarra em dificuldades elementares como a falta de transporte adequado. […] Em que estamos acostumados a burlar as leis.”

Para fechar, Ruffato destacou o Brasil como um país paradoxal, ora visto como exótico e paradisíaco, ora como um local execrável e violento.

Leia na íntegra do discurso de Ruffato, retirado do oglobo

Manuscritos de Notícias: Stephen King diz estar nervoso com continuação de “O Iluminado”

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Aos 65 anos, o veterano da literatura de suspense acredita que a qualidade de seus livros aumentou desde que escreveu O Iluminado, quando tinha 28 anos. Ele disse ainda que visita sites sobre literatura na internet para saber o que os fãs estão dizendo sobre o livro mesmo antes do lançamento.

“Você se depara com essa comparação e é natural que ela te deixe nervoso, porque muitas águas já passaram sob a ponte (desde o primeiro livro). Sou um homem diferente”, afirmou. “O que muitas pessoas estão dizendo é ‘okay, eu devo ler (Doctor Sleep), mas não vai ser tão bom quanto O Iluminado‘. Mas eu sou otimista e quero que elas mudem de opinião ao terminarem de ler. O que quero realmente é que achem melhor que O Iluminado.”

Crítica ao filme O Iluminado

O autor também afirma que não gostou da versão do diretor Stanley Kubrick para O Iluminado, uma das adaptações mais famosas de seus livros para o cinema. “(O filme) É muito frio. Eu não sou uma pessoa fria. Acho que uma das coisas que as pessoas gostam nos meus livros é que há uma proximidade, algo que diz ao leitor ‘quero que você seja parte disso'”, disse. “E com O Iluminado de Kubrick era como (os personagens) fossem formigas em uma fazenda, pequenos insetos fazendo coisas interessantes.”

Cena de O Iluminado

Durante a entrevista, ele também fez críticas às performances de Jack Nicholson, que interpreta Jack Torrance, e Shelley Duvall, que interpretou sua esposa Wendy. “O Jack Torrance do filme parece louco desde o início. Eu tinha visto todos os filmes de motoqueiro de Jack Nicholson nos anos 60 e achei que ele estava só trazendo de volta o personagem”, afirmou. “Já Shelley Duvall como Wendy é um dos personagens mais misóginos já colocados em um filme. Ela basicamente está lá para gritar e ser burra, e essa não é a mulher sobre a qual eu escrevi.”

O escritor revelou que o personagem de Jack Torrance é o mais autobiográfico que ele já escreveu. “Quando eu escrevi o livro eu estava bebendo muito. Eu não me enxergava como um alcoólatra, mas os alcoólatras nunca se enxergam assim. Então eu o via como um personagem heroico que estava lutando sozinho contra seus demônios, como os ‘homens americanos fortes’ devem fazer.”

O novo livro : “Doctor Sleep”

Em entrevista ao editor de artes da BBC Will Gompertz, King disse ter receio de que as pessoas que leram ainda jovens sua primeira história sobre a família Torrance no Hotel Overlook tenham as mesmas expectativas com Doctor Sleep. “Acho que as pessoas liam aqueles livros sob as cobertas com lanternas quando elas tinham 12, 14 anos de idade e por isso tinham medo. Meu receio é que elas voltem esperando se assustar novamente como naquela época, e isso simplesmente não acontece. Eu quis escrever um livro mais adulto”, diz.

Novo livro de Stephen King | Foto: BBC

Para ele, é mais difícil assustar os leitores hoje, porque “eles estão mais espertos a respeito dos truques que os escritores e cineastas usam para provocar sustos”. No entanto, o autor ainda acredita ser possível assustar as pessoas “de um jeito honrado, se elas se importam com os personagens”. Nas palavras do mestre:

“Quero que o público se apaixone por esses personagens e se importe com eles. E isso cria o suspense de que se precisa. O amor cria o horror.”

O novo livro começa um ano depois que o hotel Overlook, onde a família Torrance se hospeda, é destruído e mostra o crescimento do garoto, Danny Torrence. Já adulto, Danny trabalha como enfermeiro em uma casa de repouso, que usa suas habilidades psíquicas para ajudar pessoas que estão morrendo a passarem deste mundo para o próximo, de acordo com o autor. Ele conhece uma menina que tem as mesmas habilidades e é perseguida por “vampiros psíquicos”, que vivem da essência de crianças como ela. King disse:

“As pessoas me perguntavam o que aconteceu com o garoto de O Iluminado. Eu fiquei curioso sobre o que aconteceria com ele, porque ele era realmente um filho de uma família disfuncional.”

Então, estamos ansiosos para ver o que nos trará o próximo livro do Grande Mestre do Horror. Será que seus temores se concretizarão? Ou será que sua audácia e talento serão suficientes para fazerem de “Doctor Sleep” mais uma grande obra-prima de King? Estão abertas as apostas.

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