Aislin – A Vingança dos Dragões

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 Aislin é um mundo imenso, onde todo tipo de criatura vive.

Tem os orcs, que com uma média de três metros de altura, pálidos, carecas e musculosos, são de dar medo a qualquer um. Os orcs vivem nas florestas mais densas e escuras, prontos para devorar qualquer criatura que se aproxime.

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Os anões são criaturinhas gentis e pequeninas, não passam de um metro de altura e são muito inteligentes. Eles vivem em aldeias localizadas em campos abertos, quase sempre perto de cachoeiras.

Existem também as fadas. São pouco maiores que os anões, e mais dóceis e belas. Elas vivem geralmente perto de cachoeiras e florestas, e por isso são muito próximas aos anões.

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Tem também os temíveis dragões. Criaturas enormes que chegam a ter trinta metros de altura e o dobro de comprimento. Caudas enormes, com ossos pontudos apontando para cima por toda a cauda seguindo pelas costas da criatura e chegando até a cabeça, onde a maioria tem dois grandes chifres negros e venenosos. As cores dos dragões dizem muito sobre eles. Os verdes são mais dóceis, mas não o suficiente para montá-los. Os vermelhos são mais venenosos e raivosos. E por fim tem os negros. São os maiores, mais inteligentes e seus três líderes até falam. O fogo é azul e mais quente, e não se apaga tão facilmente. Porém não são tão venenosos como são os vermelhos.

Negro

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Vermelho

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Verde

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 Vivendo em aldeias situadas acima das montanhas, os humanos são as criaturas mais complexas de Aislin. Com suas asas brancas, voam pelo céu caçando lobos e outras criaturas. Com sua inteligência e força enormes, travam batalhas contra orcs e na maioria das vezes os vencem e ficam com o território e a comida do local.

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 Essas duas últimas espécies dividem o controle de Aislin. De um lado tem os humanos, que defendem as fronteiras de Seuron, nome dado ao território dominado pelos humanos, e de outro tem os dragões, que vigiam as fronteiras de Ykon, nome dado ao território dominado pelos dragões.

Nos dois territórios vivem as mesmas criaturas, de forma que as espécies haviam se dividido em duas depois da Grande Guerra.

O que foi a Grande Guerra? Foi uma guerra entre humanos e dragões que levou à extinção de centenas de espécies e dividiu praticamente todas. O motivo da guerra foi Kratyr, o Demônio do Fogo, líder dos dragões, tentar tomar todo o território de Aislin para si por pura ganância. Porém, Calin, o Forte, que era líder dos humanos nessa época, liderou os seus até uma gloriosa vitória.

Depois de derrotados, os dragões foram levados a um território sombrio e negro de Aislin junto com todas as criaturas que os apoiaram e uma barreira foi erguida entre Seuron e Ykon por Eurin, o Mago, um humano que tinha uma habilidade incrível com magia. A partir daí, o tempo foi divido em A.B, antes da barreira e D.B, depois da barreira.

Desde a Grande Guerra, Seuron e Ykon vivem completamente separadas, e as criaturas de Seuron vivem em paz até hoje. Porém, as criaturas de Ykon ficaram amarguradas com a derrota, e até hoje guardam rancor dos humanos.

Tybow é o líder dos humanos e de Seuron. É também um grande guerreiro. Usa um machado com cabo de ouro e lâmina banhada em veneno de dragão vermelho. Suas asas são manchadas de sangue devido à recente batalha contra os ciclopes.

No dia seguinte seria seu trigésimo ano de vida e também o quinquagésimo ano depois da barreira.

O guerreiro se encontrava no topo da Montanha de Calin, de onde liderava o território. Dali era possível ter uma visão da barreira e do outro lado o majestoso pôr do sol carmim, com aves planando e fadas se divertindo.

Logo abaixo, na floresta verde, era possível ver o acampamento dos ciclopes que esperavam ansiosamente o anoitecer para atacar.

No patamar abaixo de Tybow, três centenas de humanos e duas centenas de goblins se preparavam para a batalha contra os ciclopes que começavam a se movimentar de acordo com o pôr do sol. Tybow, com seu longo cabelo negro e esvoaçante e seus olhos prateados, observou isso e ergueu seu machado para o céu.

– AVANÇEM CONTRA ESSES BASTARDOS! – gritou Tybow já descendo escorregando para o patamar de baixo e continuando a descida com seus bravos soldados. Correndo pelo patamar e escorregando pela terra que dava acesso ao patamar de baixo.

Repetiram o movimento de correr e escorregar por mais cinco vezes antes de atingir o chão e ficarem a uns cento e cinquenta metros da primeira linha de ciclopes que avançava ferozmente, empunhando machados e martelos de guerra, espadas e lanças e os de trás apontavam flechas para o céu com seus arcos de carvalho negro e forrado com pelo de lobo.

A batalha seguiu boa para os humanos que iam atacando por terra cortando tudo pelo caminho e também pelo céu, desviando as flechas atiradas pelos ciclopes da retaguarda. Do último patamar da Montanha de Calin, os goblins atiravam flechas certeiras nos olhos e peitos dos ciclopes.

Os goblins eram criaturinhas pequenas, do tamanho de anões, porém com muito menos semelhança com os humanos. Tinha orelhas enormes e pontudas, pele esverdeada e dentes pontiagudos e negros. Eram magrelos, porém bons de mira.

Os ciclopes chegavam a quatro metros de altura, porém eram lentos e compensavam isso com força. Mas os humanos eram ágeis e inteligentes, e tinham sua boa parcela de força também. E com tudo isso junto, mais os tiros certeiros dos goblins, metade dos ciclopes já haviam caído, e parte da outra metade fugiu. Os que ficaram foram cercados, e feitos prisioneiros.

Tybow seguiu o grupo de ciclopes que havia fugido. Sua intenção era pegar o líder, e fazê-lo prisioneiro, pois isso daria exemplo aos outros ciclopes que mostrassem interesse em liderar outro possível ataque.

As celas ficavam abaixo da montanha, cavadas em baixo da terra, sem nenhuma luz do sol.

Lira jogou o último ciclope dentro de uma das celas e voltou à superfície.

– Onde está Tybow? – perguntou Lira para um dos humanos que estava por ali.

Lira tinha cabelos dourados e cacheados, olhos negros como a noite e um corpo esculpido por elfos, criaturas muito parecidas com goblins, porém um pouco mais altas e muito boas em esculpir e construir. Ela usava apenas uma tanga verde que cobria a região do quadril e uma faixa de pele de lobo cobria os seios, dando a volta pelas costas.

– Foi atrás dos ciclopes. – respondeu o outro. Um jovem guerreiro, com cabelos ondulados e ruivos, caindo sobre os ombros. Seu nome é Koro.

Lira bufou e correu floresta adentro.

Lira e Tybow se amavam de uma maneira imensurável. Ela se lembrava como se fosse horas atrás quando descobriram o amor de um pelo outro.

Ano 487 D.B

Ela tinha 16 anos quando conheceu Tybow, e ele era um ano mais velho que ela.

Tybow caminhava à beira da Lagoa de Águas Douradas, a nordeste da Montanha de Calin. Lira estava sentada no galho de uma árvore observando as águas, quando Tybow passou logo à frente. Estava apenas com uma tanga verde cobrindo o quadril, deixando o abdômen bem definido e o peitoral nus. Uma marca vermelha parecendo um tentáculo grosso, ia do quadril direito até o ombro esquerdo. Lira sabia a história dessa marca.

Toda a linhagem de Tybow governou Seuron, e todos eles tinham essa marca. A marca existe porque Seuron, o Primeiro Homem, lutou contra o primeiro dragão chamado Ykon, um dragão metade negro e metade vermelho.  Na luta, Seuron recebeu um corte do quadril direito até o ombro esquerdo. O corte foi feito pelo chifre de Ykon. Por sorte, Merly, o Primeiro Mago, chegou rapidamente ao local, junto de uma centena de homens e expulsou Ykon.

Merly cuidou de Seuron, mas a marca ficou para sempre, até mesmo em seus filhos, porém Seuron sobreviveu. Há quem diga que foi lacrada uma magia poderosa na marca. Mas isso é apenas boato.

Ano 499 D.B (Presente)

 

Voltando ao lago… Lira observava Tybow caminhar calmamente pela beira do lago, quando o galho cedeu e ela caiu de uma altura de dez metros. Tybow escutou o estalar do galho cedendo, e saltou para a direita agarrando Lira com as asas centímetros antes de a mulher atingir o chão.

Os dois rolaram até Tybow bater com as costas numa árvores e urrar. Lira se levantou devagar e avaliou as costas de Tybow.

Sua coluna havia quebrado.

A mulher deixou escapar um suspiro de horror, mas deixou o medo de lado e carregou Tybow até o lago.

– Você vai melhorar meu guerreiro, você vai melhorar. – sussurrava Lira, enquanto banhava o homem com as águas douradas.

As águas do lago tinham poder de cura, mas apenas se o ferimento for recente, e também não cura veneno de dragão.

Tybow abriu os olhos devagar, e Lira o carregou para a beira, do lago. O depositou na terra molhada, agachou e ficou observando aqueles olhos prateados que pareciam ver até a sua alma.

– Você me salvou. – disse o homem, piscando para adaptar-se a luz do sol daquela manhã linda.

Pássaros cantavam por ali, e do outro lado do lago era possível enxergar alguns anões desfrutando um belo café da manhã com frutas e néctar dourado. Uma bebida feita de uva misturada com a água dourada do lago.

– Apenas retribui o favor. – respondeu Lira sorrindo.

O sorriso dela era como uma manhã de sol na beira de um lago de águas douradas. Um sorriso lindo e calmo.

O guerreiro nada mais disse apenas a beijou ternamente à beira do lago.

Voltando ao presente, Lira corria por entre as árvores, indo atrás de seu guerreiro.

Enquanto isso, bem mais à frente na floresta verde, Tybow se escondia atrás de uma árvore, pois os ciclopes haviam ouvido um barulho logo atrás deles.

Se eles me pegarem, estou morto, pensou o humano.

Os ciclopes viram que não tinha ninguém por ali, e continuaram a correr de volta para sua aldeia.

Tybow correu atrás, com bastante cautela. Os ciclopes à frente tinham longos e grossos cabelos avermelhados, e tinham quatro metros de altura. Com certeza conseguiria matar dois, mas o resto cairia em cima dele rapidamente, esmagando-o. Eram trinta ciclopes, mas ele só precisava pegar o líder desprevenido e matá-lo. Depois disso, os outros ficariam assustados e correriam.

O guerreiro abriu as asas, vendo que seria melhor segui-los pelo ar. Suas grandes asas brancas salpicadas de vermelho batiam levemente contra o ar, fazendo o humano sair do chão e subir até depois das árvores, não muito alto, a fim de poder enxergar os ciclopes.

Porém algo inesperado aconteceu. Quando alcançou a linha das árvores, uma árvore veio voando na direção do humano, e o acertou em cheio.

Um dos ciclopes tinha ficado para trás, para confirmar se não tinha ninguém os seguindo, e acabou vendo o humano levantar voo. Logo correu para arrancar uma árvore do chão e arremessá-la contra Tybow.

Humano e árvore caíram logo atrás do grupo de ciclopes e todos eles se viraram, espantados. Porém, o líder passou pelos seus e observou o humano caído no chão, e logo abriu um sorriso. Seus dentes eram amarelos e pontiagudos.

– O líder dos humanos! – gritou o ciclope, comemorando.

Tybow foi carregado, inconsciente, para a aldeia. Chegaram lá duas horas após o crepúsculo. O guerreiro humano foi jogado numa cela qualquer e os ciclopes foram festejar.

Lisa Soltou as asas e subiu para o céu escuro, dando vista para a aldeia dos ciclopes ao longe, com fogueiras acesas. Pareciam estar festejando e por terem perdido a batalha, só havia um motivo para festejarem.

Ela afastou o pensamento e tentou ser otimista.

A guerreira aterrissou pouco antes da aldeia, em cima de um galho de árvore para seguir sorrateiramente. Pulou de galho em galho até chegar à beira da aldeia.

Ela avistou a cela quadrada feita de madeira, onde Tybow estava desmaiado. Lira desceu da árvore e caminhou por trás dos ciclopes, devagar, sem fazer barulho. Os monstros de um olho só estavam pulando e tomando néctar com carne de lobo assada na fogueira.

A aldeia ficava bem aonde o Rio Negro, que vinha de Ykon e passava pela barreira, se dividia em dois, dando vida ao rio prateado, que seguia reto para o leste pela floresta verde, passando pela aldeia dos youkais, e indo para as terras além, e ao rio dourado, que seguia para o sul na direção do campo aberto e desaguava no Águas Douradas.

Para deixar claro, youkais é o nome dado à um grupo de criaturinhas muito parecidos. São eles os goblins, duendes, elfos e gnomos.

Lira caminhou devagar pela beira do rio dourado, se posicionou à frente da cela e sussurrou para Tybow.

– Ei, Ty!

Nenhuma resposta.

– Ty!

Mais uma vez silêncio.

Ela sacou seu machado com o cabo banhado em prata e olhou para os ciclopes.

Tenho que arriscar.

Lira quebrou cinco colunas da cela com apenas um golpe em arco, entrou na cela e sacudiu Tybow.

– Anda Ty, acorda! – suplicou a mulher, que sacudia o guerreiro e olhava os ciclopes.

Tybow abriu os olhos lentamente e quando retomou a consciência, se levantou num pulo.

– Onde estamos?!

– Na aldeia dos ciclopes, temos que dar o fora daqui rápido! – respondeu Lira sussurrando.

– Hã, Lira… Não será tão fácil assim. – disse Tybow, olhando para trás de Lira, na direção do buraco por onde ela havia entrado.

Os ciclopes estavam bem ali, parados, encarando os dois humanos dentro da cela.

O líder dos ciclopes avançou.

– Olha só o que temos aqui! O casal líder dos humanos… É melhor ainda! – comemorou o ciclope. Todos os outros comemoraram com ele.

Mas por pouco tempo.

O ciclope enxergou algo no céu. Uma nuvem negra, outra avermelhada e outra esverdeada, se aproximando rapidamente. A esverdeada vinha na direção da aldeia dos ciclopes e as outras duas iam para a Montanha de Calin.

– DRAGÕES! – gritou o ciclope – FUJAM, CORRAM, SALVEM SUAS VIDAS!

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 Todos os ciclopes correram desesperados para todos os lados, e um afobado veio na direção da cela, correndo e olhando para trás. Quando viu a cela era tarde demais. Ele tropeçou na cela, e o impacto fez a cela voar para dentro do rio dourado, mas não sem antes bater uma vez na terra à beira do lago, onde os ciclopes guardavam suas armas. Lira avistou o machado de Tybow e esticou a mãe rapidamente para pegar.

Tybow e Lira se equilibraram nas barras de madeira da cela e foram levados pela correnteza. A mulher passou o machado para Tybow e em seguida os dois abriram as asas subitamente, fazendo a cela se quebrar com a força das asas.

O casal voou para leste, na direção da Montanha de Calin.

Alguns Momentos antes

Muito longe dali, na Ilha das Sereias, no mar do norte, Ykaon aterrissou no centro da ilha, seguido por milhares de dragões enormes.

Eles destruíram tudo. Queimaram as florestas, mataram as sereias, caçaram as que estavam no mar e perseguiram as que tentavam fugir.  O canto delas não tinha efeito sobre essas criaturas, portanto nada podiam fazer a não ser aceitar o destino.

Rapidamente a ilha foi de um paraíso a um monte de cinzas e cadáveres.

Ykaon liderou os seus até o continente, onde devastaram os gnomos que se encontravam na praia. Todos queimados ou comidos.

Ao longe Ykaon avistou a grande Montanha de Calin e rugiu estrondosamente.

– VERMELHOS E NEGROS PARA AS MONTANHAS! – ordenou Ykaon – E VERDES PARA A FLORESTA!

E com isso os dragões levantaram voo.

 De volta ao Presente

Na Montanha de Calin, Korin assumiu a liderança dos humanos, pois Tybow e Lira não se encontravam ali.

– Humanos, Goblins, Anões, Fadas, Gnomos, Duendes, Ciclopes e Orcs, agora somos um! Neste momento nós iremos nos unificar para derrotar aqueles que desejam o nosso mal! Iremos à batalha, e retornaremos vencedores! E NENHUM DRAGÃO SAIRÁ DE SEURON VIVO! – gritou Korin do topo da montanha com sua espada de prata erguida.

Todas as criaturas que fugiram para a montanha gritaram o nome de Korin, um humano de 27 anos, moreno com cabelos loiros e lisos, caindo até a e metade das costas, olhos dourados e brilhantes.

Tybow e Lira já avistavam os dragões voando pelo céu. Também avistavam a movimentação na Montanha de Calin e Tybow estava feliz que eles soubessem se portar sozinhos.

– Parece que os dragões contornaram a barreira. – disse o guerreiro, encarando a nuvem de dragões que avançavam do norte para o sul, em direção à montanha.

– Contornaram a barreira? Impossível! A Barreira estende-se até o fim do mundo! – Lira estava completamente espantada.

– Na verdade não. Tinha medo de isso acontecer. Os dragões ficaram ocupados durante todos esses 500 anos. Viajando para o norte em buscar de uma saída de Ykon para invadir nossas terras. Parece que encontraram e não temos muitas chances.

– Já os vencemos antes! – disse Lira, com uma vontade de lutar enorme.

– Mas agora é diferente. Eles são mais numerosos, maiores, e nós não temos Merly por perto.

Lira não respondeu. E assim seguiram por toda a viagem de volta à montanha, em silêncio.

Quando os dragões chegaram, Korin estava preparado. Ou pelo menos achava que estava.

– ATAQUEM! – berrou o humano com suas asas completamente abertas e o peito estufado.

Goblins preparam suas flechas, orcs ergueram seus martelos assim como os ciclopes, fadas incentivavam os anões à ir para a batalha, e parecia estar funcionando, pois os pequeninos pegaram suas pequenas espadas e correram.

Alguns humanos voaram, outros foram por terra e todos erguiam espadas, martelos ou arcos.

Os dragões chegaram cuspindo fogo para todos os lados. Linhas de humanos foram dizimadas.

Uma nuvem de flechas avançou na direção dos dragões com uma velocidade incrível. As flechas foram banhadas no rio dourado, assim como muitas espadas, e a água do rio era extremamente venenosa para os dragões. Muitos caíram rapidamente, outros tentaram resistir, mas os humanos que atacavam pelo ar, chegaram cortando cabeças e patas, caudas e asas.

Ykaon se dirigiu para o topo da montanha, onde Korin erguia sua espada.

– Não passará demônio cuspidor de fogo!

Ykaon o desprezou por completo e cuspiu uma rajada de fogo azul. Porém o humano alçou voo e subiu com sua espada erguida, pronta para atacar.

O grande dragão negro apenas se inclinou para o lado, escapando do golpe de Korin, que cegaria o monstro se acertasse. Em seguida o dragão acertou o humano com a cauda, e o Korin foi parar perto da cachoeira. Muito, muito, muito longe da montanha.

Dali do topo, Ykaon dizimou centenas de orcs, dezenas de humanos e quase todos os goblins.

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 Tybow e Lira chegaram ao pé da montanha e entraram na batalha.

– Tenho um plano. Provavelmente não vai dar certo, mas é o que temos. – disse o guerreiro.

– Que plano? – perguntou Lira, desviando da cauda de um dragão vermelho e logo em seguida cortando-a em duas.

– Você verá. – respondeu Tybow – Infelizmente. – essa última parte ele sussurrou para si mesmo.

Tybow correu, subindo pelo pé da montanha, e depois flexionou as pernas e de um impulso para trás. Ainda no ar, ele fez um movimento em arco com o martelo no momento em que um dragão vermelho passava, cortando a garganta da criatura e fazendo-a cair rolando pelo chão levando mais dois dragões vermelhos e um negro.

O guerreiro abriu as asas e alçou voo. Foi subindo, cortando patas e asas de dragões, defendendo algumas criaturas pelo caminho e matando alguns dragões.

Lira tentava segui-lo o mais rápido que podia, mas um dragão sempre entrava na frente. Felizmente ela sempre terminava, ou cortando sua garganta, ou alguma parte de seu corpo.

Tybow chegou ao topo deixando um rastro de cadáveres de dragões pelo caminho. E ficou cara a cara com Ykaon, o maior dragão vivo.

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 – Esperei muito tempo por essa vingança, humano, você não irá interferir! – dito isso, Ykaon cuspiu rajadas e mais rajadas de fogo azul na direção de Tybow, que alçou voo outra vez e rodopiava para desviar das rajadas e tentava achar uma brecha para atacar.

Mas o humano não achava um espaço entre as rajadas do dragão.

– Desista humano! – rugiu o dragão negro.

– NUNCA! – gritou de volta Tybow, que desviava de outra rajada de Ykaon e dessa vez conseguiu rodopiar em volta do fogo azul, e entrava no perímetro do dragão.

O humano cravou seu martelo no olho direito de Ykaon que rugiu, fazendo a montanha tremer.

A cauda do dragão voou, girando para todos os lados. Uma dessas vezes, ela acertou Tybow em cheio, e o humano se agarrou à cauda, até ela bater no chão do topo da montanha com Tybow virado para baixo.

Após isso apenas o silêncio.

Todos haviam parado para olhar. As criaturas de Seuron ficaram boquiabertas. Os dragões de Ykon rugiram alto. Os rugidos podiam ser ouvidos nas terras além do mar do norte.

– TYBOOOOOW!!!! – gritou Lira quando subiu à altura do topo da montanha.

Lágrimas desceram por suas bochechas e a guerreira foi tomada por uma dor insuportável no coração.

– Você o matou! – disse Lira, sem forças, olhando para o dragão.

– E a matarei com o mesmo prazer! E a todos vocês! – rugiu o dragão.

Ykaon ameaçou soltar uma rajada de fogo na direção de Lira, porém algo se mexeu embaixo do dragão, e em seguida a cauda foi jogada para o lado.

Tybow se ergueu do chão, todo machucado, com os lábios sangrando, um braço quebrado e a marca… A marca estava rachada. Não estava cortada, nem rasgada, estava rachada, como concreto quebrando. E os pedaços começaram a cair, um por um e uma luz branca começou a sair de dentro da marca.

Quando todos os pedaços caíram, uma luz forte, muito forte, emanou da marca de Tybow queimando Ykaon de uma forma brutal. Os dragões ficaram espantados com aquela energia misteriosa.

– É claro… Merly depositou uma quantidade incrível de energia na marca, para quando os dragões voltassem, fossem surpreendidos. – percebeu Lira.

E em questão de segundos, Ykaon se petrificou e em seguida virou pó.

Tybow caminhou para a beirada com dificuldade e ergueu seu martelo.

– DESTRUAM ESSES DEMONIOS! – gritou o guerreiro.

E todas as criaturas atacaram com furor.

Os dragões estavam desestabilizados e isso os levou a morte.

Os humanos devastaram dragões e mais dragões com espadas e martelos, flechas e machados.

Os orcs também destruíram dezenas de dragões com a ajuda dos ciclopes.

Dois dragões negros subiram ao topo da montanha. Um foi abatido por Lira, que desceu cortando o dragão ao meio com seu machado, usando toda a sua força.

Tybow matou o último dragão que sobrava por ali. Ele ergueu seu machado, e quanto o dragão soltou uma rajada de fogo azul, Tybow alçou voou, e suas asas salpicadas de sangue bateram várias vezes, fazendo-o voar até o dragão, e acertar o focinho do dragão com o machado, arrancando dentes, narinas, olhos e chifres do dragão.

O último dragão estava morto.

Ao redor da Montanha de Calin, cadáveres e mais cadáveres de dragões e de todas as outras criaturas formavam um mar horrendo de corpos.

Porém a vitória era dos humanos e de todos os habitantes de Seuron.

Tybow se posicionou na beirada do topo da montanha, ao lado de Lira, sua mulher.

– HABITANTES DE SEURON! A PARTIR DE HOJE E PARA SEMPRE, SEREMOS FELIZES, E NINGUÉM IRÁ ATRAPALHAR. OS DRAGÕES SE FORAM, NÃO TEMOS MAIS INIMIGOS, POIS LUTAMOS JUNTOS NESSA GUERRA E POSSO AFIRMAR COM TODA A CERTEZA QUE ESSA FOI A ÚLTIMA GUERRA!

E dito essas palavras, todas as criaturas gritavam o nome de Tybow, e todas elas estavam felizes.

Com um porém. Tybow não estava tão certo assim.

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Publicado em 26 de agosto de 2013, em Histórias. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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