Ramsés: O Filho da Luz

Sinopse: Primeiro volume da saga do faraó Ramsés, que já vendeu mais de onze milhões de exemplares em 29 países de todo o mundo. Ícone do Egito antigo, que reinou durante 67 anos, e cujos feitos estão entalhados em esculturas nos templos egípcios, Ramsés é um adolescente de 14 anos que acalenta o sonho secreto de suceder seu pai, o faraó Sethi, no trono do Egito. Mas o herdeiro natural é Chenar, o filho primogênito. quando Sethi resolve iniciar Ramsés à sagrada e nobre função, as intrigas, provações e armadilhas mortais se multiplicam, entre elas a cobiça e inveja do seu irmão mais velho. Toda a trajetória de lutas, poder e consagração do novo Faraó está presente nos cinco volumes da renomada série.

Ler Ramsés era um desejo antigo, desde os tempos de escola. Sempre tive curiosidade acerca da cultura egípcia, seus mitos e lendas, e a vida que levavam em um ambiente abençoado pelas aguas do Nilo. O interessante é que, mesmo antes de se começar a ler Ramsés, se sabe o final do livro: é claro que ele será coroado faraó, e não seu irmão, Chenar, ficando então nas mãos de Christian Jacq a responsabilidade de tornar intrigante um livro do qual todos já sabemos o que acontece.

E ele consegue. O Egito que Jacq descreve é fascinante, a sociedade é harmônica e a corte um perigoso jogo de poder e influências. Nele Ramsés é educado por um preceptor pois o faraó e sua esposa-real tem mais o que fazer: gerir aquele que é o maior império de que se tem notícia, embasado na justiça para com todos. Desde cedo Ramsés mostra-se aplicado aos exercícios físicos e esportes de combate, o que é uma estratégia do autor para diferenciá-lo do outro pretendente ao trono: seu irmão Chenar.

Este dispositivo é utilizado em todo o livro: enquanto Ramsés é descrito como atlético, determinado e bonitão, aparentando ser mais maduro do que realmente é, e fazendo questão de não se utilizar de sua posição de filho do faraó, cativando aos amigos com amor (entre eles Moisés!); Chenar é gorducho, gosta de uma boa mesa e se preocupa em seduzir aliados notáveis na corte que lhes possa serem úteis em seu projeto de, um dia, se tornar o governante do Egito.

Como se pode ver, os irmãos se utilizam de suas melhores armas: Chenar da diplomacia; e, Ramsés, de sua força e predisposição natural para liderança. Assim, Chenar é o preferido da corte, enquanto Ramsés do exército. Mas as coisas não se resumem a estes simples fatos. Na época, a melhor forma de se resolver um conflito era partindo para o combate, o que faria de Ramsés o candidato ideal ao trono; mas o autor descreve um processo de mudança na política externa do reino – mal vista por alguns, que temem que ela acabe por abrir as portas à novas tradições e culturas, deixando de lado a própria cultura egípcia, da qual o povo tanto se orgulha – com uma maior ênfase na diplomacia, no diálogo, fazendo de Chenar, hábil em traçar alianças, o mais indicado.

Ramsés é um líder que pode se colocar na frente de um exército e defender seu povo. Chenar pode fazer com que não seja mais necessário que vidas se percam em guerras que podem ser evitadas. Um representa os velhos modos, e o outro a modernidade, a oportunidade de fazer com que o país cresça cada vez mais sem ter de ficar constantemente preocupado com revoltas e invasões.

Analisando assim, muitos dos leitores acabariam por ficarem do lado de Chenar: que se mostraria um líder inteligente, articulador e mantenedor da paz com a paz. O que o autor faz então para que os bons olhos de quem lê se voltem novamente para o rude Ramsés? Simples: ele faz de Chenar um conspirador perigoso, disposto até mesmo a trair seu próprio pai e dar um sumiço no irmão – a morte não é uma ideia que lhe vem à cabeça num primeiro momento: apesar de ruim, Chenar reconhece os laços de sangue que o ligam a Ramsés. Somos descarada, mas habilmente, guiados à escolha de um favorito.

E voltando um pouco à cultura, é impressionante a importância que davam naquela época à manutenção de sua identidade cultural e à escrita. Os escribas tem uma posição de destaque no funcionamento da máquina do Estado – o próprio Ramsés torna-se escriba para ajudar a um amigo – chega-se mesmo a afirmar que sem a escrita o reino egípcio não existiria.

Assim como a religiosidade. Tendo no faraó não apenas a figura de um representante dos deuses na terra, mas sim o próprio deus, o povo sente-se seguro e protegido com sua presença. Em uma passagem onde se narra um conflito, os soldados dão como certa sua vitória pelo simples fato de o faraó em pessoa, e seu filho, estarem com eles na linha de frente no campo de batalha. Também são narradas as cerimônias religiosas que aconteciam dentro dos inúmeros templos, que assumem um caráter mágico nas páginas do livro.

E aqui o Christian Jacq me confunde. Esperava por um romance histórico e ele injeta altas doses de fantasia na narrativa. Claro que o Egito, por si só já é fantástico, mas não esperava que Ramsés conseguisse se comunicar com animais, ou que o faraó tivesse superpoderes. Mas não é um ato falho e, ao invés de atrapalhar, trás um elemento a mais para a narrativa.

Jacq é um excelente narrador, sabe prender as revelações até o momento certo – e mesmo despistar o verdadeiro responsável por algumas ações, naquela que se mostra uma das maiores surpresas do livro – e sempre termina um capítulo no clímax, te obrigando a seguir para o seguinte e saber o que aconteceu.

Recomendo!

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Sobre hmstark

Lute contra os mais fortes, pois se lutar contra os mais fracos, além de covarde, você nunca evoluirá.

Publicado em 24 de julho de 2013, em Outros, Resenhas. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Sensacional kra tanto a resenha quanto a historia do livro fiquei interessado

  2. a amiga da minha mãe tem, qualquer coisa peço aqui pra ti 😀 tentei achar o link em pdf, mas não consegui… ainda… rs
    Quanto a história, é realmente muito boa. Eu criei um lanço de amizade com o Ramsés!

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